O direito humano à água e ao saneamento
uma análise crítica da concretização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável
O direito humano à água e ao saneamento, reconhecido pela ONU desde 2010, enfrenta no México profundas contradições entre sua proclamação normativa e sua garantia efetiva. Embora esteja consagrado no artigo 4.º constitucional e em tratados internacionais, a realidade mostra desigualdades estruturais no acesso, principalmente em comunidades rurais, indígenas e periferias urbanas. Esta brecha revela uma gestão hídrica subordinada a interesses econômicos e marcada por um modelo tecnocrático e extrativista. A falta de infraestrutura, a deterioração das fontes hídricas e a privatização do recurso agravaram uma crise que atinge o meio ambiente e se transforma em uma vulnerabilidade sistemática de direitos humanos. A partir de uma perspectiva jurídica crítica, a água deve ser entendida não apenas como um recurso natural, mas também como um bem comum, cuja gestão democrática e sustentável é condição para a justiça socioambiental. Este artigo examina as tensões entre o marco legal e as realidades territoriais que impedem o gozo pleno deste direito.
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