Arquitetura estrutural para a agência juvenil global do cooperativismo
Este ensaio teórico-analítico examina as condições estruturais que possibilitam ou limitam a agência juvenil no movimento cooperativo e na economia social e solidária (ESS). A partir de uma revisão da literatura especializada sobre juventude, cooperativismo e governança intergeracional, complementada por observação participante prolongada em espaços cooperativos, o artigo argumenta que a ESS constitui uma resposta ética e sistêmica ao desencanto geracional produzido pela precariedade laboral e pelo colapso das promessas meritocráticas do capitalismo neoliberal. O estudo propõe um marco conceitual organizado em torno de três imperativos interdependentes: a propriedade digna, que redefine a relação entre juventude, trabalho e capital ao situar a solidariedade (Fator C) como fonte autônoma de produtividade; a voz operativa, que transforma a participação simbólica em governança policêntrica e agência decisória efetiva; e a emancipação estrutural, que garante a sustentabilidade da renovação geracional mediante blindagem financeira, intercooperação e soberania tecnológica. A análise apoia-se em experiências da América Latina e de outras regiões — Porto Rico, Uruguai, Quebec e Colômbia — que ilustram mecanismos concretos de participação juvenil na governança cooperativa. Conclui-se que superar a lacuna entre o discurso inclusivo e a prática institucional exige um desenho deliberado que transcenda a retórica da inclusão e transforme a juventude em coproprietária, codecisora e coarquiteta do futuro cooperativo, consolidando assim uma transição civilizatória rumo a uma economia centrada nas pessoas.
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