Economia Solidária e territórios digitais
o desafio do desenvolvimento participativo de tecnologias para comunidades tradicionais do Amazonas
Com a popularização da internet e dos dispositivos digitais, as tecnologias da informação e comunicação passaram a fazer parte do cotidiano da grande maioria da população. No Brasil, o uso que antes ficava restrito aos grupos mais favorecidos dos centros urbanos, atualmente já pode ser observado nos territórios rurais do interior do país. Esse fato vem contribuindo para um fenômeno de transição digital do campo da economia solidária. Buscando analisar criticamente as implicações desse fenômeno, o presente artigo aborda a experiência do desenvolvimento participativo de uma aplicativo de celular voltado para a economia doméstica de comunidades tradicionais do interior do Amazonas, região onde se localiza a maior extensão territorial da Floresta Amazônica Brasileira. O projeto foi elaborado através de um parceria entre organizações sem fins lucrativos que fazem parte do ecossistema de economia solidária do país, com o objetivo de apoiar na organização das informações referentes às atividades produtivas realizadas nos territórios. A coleta das informações sobre o cotidiano produtivo pretende, no longo prazo, facilitar o acesso das famílias à políticas públicas de proteção territorial, de incentivo à pesca, à agroecologia familiar, aposentadoria rural, entre outras. O termo Desenvolvimento Participativo de Tecnologias (DPT) é utilizado para apresentar a metodologia utilizada. É discutida a interação recíproca entre os atores envolvidos no processo, que demandou a contribuição de tipos distintos de conhecimento. Até que ponto os agricultores participam e como os resultados são influenciados por sua participação?
Como Citar
Licença
Direitos autorais (c) 2025 Cooperativismo & Desarrollo

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
O autor deve declarar que seu trabalho é original e inédito e que não foi enviado à avaliação simultânea para sua publicação por outro meio. Além disso, deve garantir que não tem impedimentos de nenhuma natureza para a concessão dos direitos previstos no contrato.
O autor se compromete a esperar o parecer da revista Cooperativismo & Desarrollo antes de considerar sua apresentação a outro meio; caso a resposta de publicação seja positiva, compromete-se em responder por qualquer ação de reivindicação, plágio ou outro tipo de reclamação que possa ocorrer por parte de terceiros.
Ainda, deve declarar que, como autor ou coautor, está completamente de acordo com os conteúdos apresentados no trabalho e ceder todos os direitos patrimoniais, isto é, sua reprodução, comunicação pública, distribuição, divulgação, transformação e demais formas de utilização da obra por qualquer meio ou procedimento, pelo termo de sua proteção legal e em todos os países do mundo, ao Fundo Editorial da Universidad Cooperativa de Colombia, de maneira gratuita e sem compensação monetária.
Antunes, R. (2020). Uberização, trabalho digital e indústria 4.0. Boitempo Editorial.
Dagnino, R., et al. (2004). A tecnologia social e seus desafios. En Tecnologia social: uma estratégia para o desenvolvimento.
Dagnino, R. (2014). Tecnologia social: contribuições conceituais e metodológicas. Eduepb. DOI: https://doi.org/10.7476/9788578793272
Faria, L. A. (2010). Softwares livres, economia solidária e o fortalecimento de práticas democráticas: três casos brasileiros (Dissertação de mestrado). Programa de Engenharia de Sistemas e Computação, COPPE, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil.
Feenberg, A. (1991). Critical theory of technology (Vol. 5). Oxford University Press.
Freire, P. (2014). Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. Paz e Terra.
Gomes, M. (2022). Aplicativo vai reunir informações para gestão da economia doméstica na Amazônia. Fundação Vitória Amazônica. https://www.fva.org.br/aplicativo-vai-reunir-informacoes-para-gestao-da-economia-domestica-na-amazonia/
Henriques, F. C. (2014). As disputas em torno do conceito de economia solidária: experimentação de uma utopia ou retrocesso na luta dos trabalhadores. Revista Latitude, 8(1). DOI: https://doi.org/10.28998/2179-5428.20140104
Neder, R., & Henriques, F. C. (Orgs.). (2024). Um horizonte de lutas para a autogestão: o trabalho organizado por plataforma digital. Lutas Anticapital.
Silveira, S. A. (2004). Software livre: a luta pela liberdade do conhecimento. Editora Fundação Perseu Abramo.
Silveira, S. A., Souza, J., Cassino, J. F., & Machado, D. F. (2022). Colonialismo de dados: como opera a trincheira algorítmica na guerra neoliberal. Autonomia Literária.
Tygel, A. (2015). Tecnologias da informação e comunicação e movimentos sociais: o caso da Cooperativa EITA. En Tecnologia, participação e território. Editora UFRJ.
Tygel, A. (2016). Semantic tags for open data portals: Metadata enhancements for searchable open data. Federal University of Rio de Janeiro.




